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CF 2018: Gesto Concreto - 11/10/2018


Artigo: Achado, não é roubado?




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Como um dos gestos concretos da Campanha da Fraternidade 2018, cujo tema é "Fraternidade e superação da violência", passamos a publicar alguns artigos do Capitão PM Rafael Cambuí, Comandante da Polícia Militar de Paulínia.
Estes artigos visam trazer mensagens de esperança e dicas para que possamos ajudar na superação da violência, sendo que estes, são de responsabilidade do autor, não necessariamente refletindo a opinião da Igreja.
Como cidadãos, devemos ser protagonistas da Paz, à exemplo de Cristo!

 

Achado, não é roubado?

 

Achado, não é roubado?

 

Durante a reunião de análise criminal realizada nesta semana, percebemos um número expressivo de registros de furtos de telefones celulares. Quando fizemos a leitura dos boletins de ocorrência, percebemos que todos os casos registrados nesta semana ocorreram praticamente da mesma maneira: alguém vai ao banco ou a um estabelecimento comercial e por descuido acaba esquecendo o aparelho em cima do balcão ou de uma mesa e vai embora. Mais adiante quando percebe a falta do telefone, lembra que esqueceu em determinado local e ao voltar não mais localiza o aparelho. Como a maioria das pessoas tem aplicativos de bancos instalados em seus smartphones, acabam registrando o crime pensando ser furto, para evitar mau uso de sua conta bancária.

O registro desta ocorrência como furto, acaba prejudicando nossa estatística com uma informação não verdadeira. Na realidade quem se apodera do objeto esquecido responde por apropriação de coisa achada, crime previsto no artigo 169 do Código Penal Brasileiro.

Esse crime, em que pese muito recorrente, acaba sendo quase impossível de ser combatido pelas Forças de Segurança do Município, pois como o Policial pode suspeitar de alguém que sai de um estabelecimento comercial com um celular na mão ou no bolso? Atualmente quase todas as pessoas transitam portando seus aparelhos fato que não desperta nenhuma suspeita.

Ainda que o policial verificasse o IMEI do aparelho celular, não constataria nenhuma irregularidade, visto que a vítima ainda não teria registrado o extravio do aparelho, ou seja, o combate deste crime depende do fator cultural de um povo que não deve levar vantagem indevida em prejuízo de terceiros.

No ano passado, quando comentei a greve da Polícia Militar do Espírito Santo, destaquei meu espanto ao perceber que pessoas que não possuem antecedentes criminais, ao saber da ausência de policiamento resolveram saquear lojas que comercializam produtos eletroeletrônicos, ou seja, são cidadãos somente enquanto vigiados pelo Estado, ao perceber qualquer fragilidade nesta vigia, logo revelam sua verdadeira face e cometem o crime em prejuízo alheio. Da mesma forma aquele que depara com um telefone e resolve subtraí-lo para benefício próprio.

Todos nós estamos passíveis de esquecer nosso telefone em locais públicos, isso é muito corriqueiro em nosso dia-a-dia, triste é perceber que quando voltamos alguém que se diz honesto, localizou o objeto e dele se apropriou. Infelizmente esse desvio de caráter, não tem relação com condição social, mas realmente com a falta de dignidade e com a maldita vontade de levar vantagem indevida.

Quando observamos outros países, vemos comportamentos muito distintos. Um exemplo de um país pobre em que isso não ocorre com frequência é a Índia. Lá por questões religiosas, as pessoas não podem entrar nos templos utilizando sapatos, daí, deixam seus calcados ao lado de fora, geralmente na escadaria. Após realizar suas orações, os fiéis voltam e localizam seus sapatos, mesmo não havendo ninguém para fiscalizar. Observe que estamos falando de um país onde muitos não têm acesso a um item básico como esse. Como é possível deixar meu calçado na porta de um templo num país pobre e localiza-lo ao voltar e aqui não é possível esquecer um telefone? Será que aqui é seguro deixar meu sapato na porta de uma igreja?

A resposta não está na falta de policiamento. Como disse, ainda que o policial estivesse na porta do estabelecimento, não conseguiria evitar tal conduta. A resposta está na falta de dignidade, de urbanidade de algumas pessoas que se dizem cidadãos.

Sonho com o dia em que ao localizar um objeto que não lhe pertence, a pessoa tente localizar o proprietário, ou que simplesmente possa deixar onde está para que o proprietário possa buscar.

Não aproveite de um deslize de outrem para levar vantagem indevida. Seja honesto, cumpra as leis. Se queremos um País melhor, temos que começar fazendo a nossa parte. Não faça aos outros aquilo que não quer que seja feito a ti.

Lembre-se sempre: Segurança Pública é responsabilidade do Estado e dever de todos. Ajude a Polícia fazer seu serviço, com medidas que você pode adotar!

Capitão PMP Rafael Cambuí
Rafael Cambuí
Capitão de Polícia
Comandante da Polícia Militar de Paulínia e membro permanente da Associação Internacional dos Chefes de Polícia com sede nos EUA.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Igreja.

Fonte: Capitão PM Rafael Cambuí






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